sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sindpol pede a interdição de quatro delegacias do interior de AL

“A delegacia de Santana do Mundaú foi instalada em uma casa que não oferece segurança”, diz Sindicato

Sindpol denuncia situação física precária na delegacia de Santana do Mundaú / Foto: Arquivo


Depois da interdição, decretada pela Justiça, da Delegacia de Cajueiro por falta de estrutura física para abrigar presos, agora mais quatro delegacias estão na mira.

O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) pediu à Justiça a interdição da Delegacia Regional de União dos Palmares, nesta quinta-feira (12). Na véspera, o Sindpol já havia pedido que a Delegacia de São José da Laje seja interditada.

Também nas delegacias de Paulo Jacinto e Santana do Mundaú o sindicato denuncia situação física precária.

Santana do Mundaú

“A delegacia de Santana do Mundaú foi instalada em uma casa que não oferece segurança”, diz o Sindpol. “Em todos os recintos, existem várias janelas de madeira que deixam a segurança vulnerável”.

Nas salas, o Sindpol constatou problemas de infiltrações nas paredes. O alojamento apresenta condições insalubres. As mobílias estão quebradas.

“O mau cheiro é intenso no local. Ao lado da delegacia existe um terreno cheio de mato e de lixo, que fica vizinho a um matadouro, o que torna o ambiente insuportável e desagradável”, diz a nota. E conclui: “A delegacia não possui armamento, não tem colete à prova de bala e a única viatura está cedida à delegacia Regional de União dos Palmares”.


União dos Palmares

O pedido de fechamento da Delegacia de União foi entregue pelo Sindpol ao juiz Carlos Bruno de Oliveira Ramos, que substitui o titular da Vara Criminal, Antonio Rafael Wanderley. O sindicato alega que o local apresenta condições insalubres, não oferece segurança aos policiais civis, aos detentos e à população.

Segundo nota enviada à imprensa pelo Sindpol, a delegacia de União abriga 36 presos “em condições subumanas”, incluindo cinco menores de idade. Os presos estão em apenas três celas de 10 metros quadrados cada uma, de acordo com o sindicato. “Na carceragem, que fica ao lado da cozinha, o lixo se aglomera próximo às celas”, diz a nota.

As descargas sanitárias não funcionam, segundo o sindicato. Os presos se revezam para dormir, devido ao pouco espaço.

“Eles informaram que estão adoecendo, adquirindo viroses, e outros apresentam inchações nos olhos. Os presos não recebem atendimento médico. Devido às estruturas precárias, eles não têm direito ao banho de sol. Por não poderem se movimentar, reclamam de dores nas pernas. Com a fiação exposta, vários presos já sofreram descargas elétricas. Eles informaram que aparecem ratos, escorpiões e baratas nas celas”, relata a nota.

São José da Laje

O Sindpol também pediu a interdição da Delegacia de São José da Laje, na quarta-feira (11). O pedido foi entregue pessoalmente ao juiz da José Alberto Ramos e ao promotor Jorge Dórea, ambos da cidade.

“A delegacia funciona em uma casa velha que não oferece segurança nem condições estruturais para os policiais civis e a população. A cela da carceragem já foi interditada pela justiça. Os presos foram transferidos para a delegacia Regional de União dos Palmares, mas os policiais continuam na mesma delegacia insalubre”, informou o sindicato.

O juiz Alberto Ramos se mostrou contrário à interdição da delegacia. “A violência já está um caos aqui, e se fecharmos a delegacia, a tendência é piorar”, disse, acrescentando que a metade do atendimento em sua comarca é sobre violência.

Paulo Jacinto

A Delegacia de Paulo Jacinto, segundo o Sindpol, tem problemas nas redes elétrica e sanitária. As descargas dos banheiros não funcionam. As lâmpadas estão queimadas. A fiação elétrica fica exposta nas paredes, podendo provocar choques, curto-circuito e incêndio.

Os policiais não têm acesso à internet. O alojamento está em condições insalubres, mal cabem duas camas. Na cozinha, não há geladeira. Os policiais usam isopor para conservar os alimentos. O fogão não funciona. As mobílias estão quebradas. As paredes apresentam infiltrações e rachaduras”, diz a nota do sindicato, finalizando: “Falta armamento. Apenas um policial civil fica disponível para atender toda a população”.


Reparos e melhorias

A Polícia Civil de Alagoas informou, através de sua assessoria, que obras de reforma em delegacias não são de sua competência, já que ela não tem um setor específico de obras. As reformas estão a cargo da Secretaria de Infraestrutura, que faz as licitações e contrata as empreiteiras, e do Serveal, que fiscaliza as obras. A Polícia Civil, segundo a assessoria, realiza apenas, quando possível, reparos de pequena monta e melhorias periódicas nas delegacias.

Ainda segundo a assessoria, tanto os reparos quanto as reformas são necessidades constantes devido à rotatividade dos presos nas carceragens e à conhecida superlotação das unidades. “Essa constante superocupação deteriora as instalações físicas com muito mais rapidez”, diz a assessoria.

Barra a Barra”

Há um projeto em andamento, o chamado “Barra a Barra”, convênio assinado pelo Estado com o Banco Mundial para reforma de delegacias no eixo que vai da Barra de Santo Antônio, no norte, à Barra de São Miguel, no sul. Ele abrange, além das duas Barras, as cidades de Maceió, Paripueira, Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte. O Serveal prometeu divulgar nesta sexta-feira (13) a lista das delegacias que estão passando por reforma e mais detalhes do convênio.

Por: Assessoria
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