quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Justiça mantém afastamento de prefeito de Santana do Mundaú


Segundo a decisão, bens e contas bancárias de acusados também permanecem bloqueadas

Desembargador Alcides Gusmão da Silva, relator do processo


Integrante da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), o desembargador Alcides Gusmão da Silva, manteve o afastamento e bloqueio de bens e contas bancárias do prefeito de Santana do Mundaú, Eloí da Silva, e servidores da prefeitura, acusados de utilizar dinheiro público para fins eleitorais e subtrair documentos oficiais a fim de prejudicar as investigações.

Inconformados com a decisão de primeira instancia, os réus alegaram que foram afastados de suas funções sem chance de prestarem quaisquer esclarecimentos e colocaram em questão a competência da Justiça estadual para julgar o caso. Eles afirmam, também, que na decisão inicial, não houve individualização das condutas tidas como impróprias, formulando acusações genéricas.
     
O desembargador-relator Alcides Gusmão afirmou que não há o que se falar da competência do 1º grau para julgar o processo, uma vez que, de acordo com a Constituição Federal, quando se trata de ações cíveis, os prefeitos não possuem foro privilegiado. “As normas dizem respeito, estritamente, à prática de crime, seja de responsabilidade comum ou se infração político-administrativa, dessa feita, nesses casos, sem dúvidas, o processamento dar-se-á no tribunal estadual”, justificou.
     
Para o relator, o afastamento dos cargos é necessário diante do receio de que, devido às atribuições inerentes aos cargos que ocupam, os investigados possam prejudicar a instrução processual. E levando em consideração os indícios, fatos narrados, e documentos que estão nos autos, a medida tem o objetivo de garantir, no fim da instrução processual, o ressarcimento dos valores indevidamente despendidos aos cofres públicos.
     
“Frisa-se que a lei de improbidade administrativa visa tanto a proteger valores de ordem imaterial, como a manutenção da ordem pública, que deve ser levada em consideração em detrimento de interesses individuais”, finalizou o desembargador.

Por: Robertta Farias / TJ-AL
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