quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mãe de taxista assassinado em União dos Palmares pede justiça

Natural de Santana do Mundaú, dona Marisa Alves sobrevivia da ajuda dos filhos e da pensão do marido e vive há 30 anos em União dos Palmares




“Ele pode até mandar me matar, agora não importa mais porque já matou meu filho”. O desabafo é de uma dona de casa de 62 anos, com problemas de saúde, viúva e que sofre com a tragédia que se abateu sobre sua família. 

No último domingo, dia 14, seus filhos Milton Ávila Vilela, taxista, 27 anos, e Cristiano Ávila Vilela, segurança de 34 anos, se divertiam num churrasquinho no Centro da cidade de União dos Palmares, quando houve uma confusão envolvendo Danilo Ferreira Medeiros, filho do policial militar José Adênio Ferreira Medeiros, um sargento do 2º BPM.

“Ele [filho do policial] correu para casa e contou ao pai que meu filho tinha agredido ele. Então o policial pegou uma faca e o rapaz outra. O policial deu tiros para o alto, apontou o revólver para a cabeça do meu filho e mandou que esfaqueassem o Milton”, contou a dona de casa Marisa Alves Barbosa, mãe de Milton e Cristiano. 

Segundo Marisa, Cristiano tentou socorrer o irmão, mas foi impedido pelo militar e o filho. “Ele disse que se o Cristiano chegasse perto também ia morrer e acabou levando duas facadas”, completou Marisa. A vítima está internada em hospital de Maceió – perdeu um rim - já o taxista Milton não resistiu aos ferimentos e morreu.

O militar e seus dois filhos foram citados pelos moradores como autores do crime bárbaro, que chocou a cidade. 

A Gazetaweb apurou que os acusados pelo assassinato ainda impediram que socorristas fizessem os primeiros procedimentos na tentativa de salvar a vítima. Daí que a vítima acabou sendo socorrida por outros policiais.

Natural de Santana do Mundaú, dona Marisa sobrevivia da ajuda dos filhos e da pensão do marido e vive há 30 anos em União dos Palmares. “Eles nunca tiveram envolvimento com o que não presta. Só gostavam de tomar a cervejinha no fim de semana”, completou.

Diante da dor ela ainda tem força para pedir Justiça. “Se a morte do meu filho tiver Justiça eu fico aqui ainda, mas se não foi feito nada, vendo tudo e vou embora. Não agüento passar por onde meu filho trabalhava, os locais onde ficava. É muita dor. Mas não tenho medo de morrer”. 

O caso será investigado pelo delegado Antonio Nunes, titular da delegacia de União dos Palmares.

O chefe de operações da delegacia de União dos Palmares, Alberico Guimarães, confirmou que todas as testemunhas ouvidas até agora – já foram quase dez - apontam o militar e um dos filhos dele como responsáveis pela sessão de tortura e morte na região central de União dos Palmares. 

Nesta quarta-feira mesmo, segundo o policial, seis pessoas estão sendo ouvidas. “Sobre indiciamento ou pedido de prisão somente com a conclusão do inquérito policial”, informou Alberico Guimarães.

Por: Regina Carvalho / Gazetaweb
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